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sábado, 26 de maio de 2012

O cemitério


Estamos ficando velhos, e isso é indiscutível. A parte boa disso é que começamos a prestar a atenção em antigos costumes que antes nos passavam batido, mas que no fim faziam todo o sentido.



Quando criança, no dia das mães, sempre me acordavam cedo para ir à missa e depois ao cemitério.
Minha avó conhecia as coordenadas exatas de todas as sepulturas da famílias, os pontos de referência. 
Era um aprendizado constante para minha mãe e tia que assistiam aquilo com tal dedicação como se fosse necessário aprender para a sua sobrevivência.
A troca de flores, a reza, a limpeza da sepultura ao lado de quem não conhecíamos, mas que estava abandonada. Tudo isso era anotado mentalmente, sem que fosse necessário dizer o passo-a-passo.
Minha avó nos deixou.
Este ano fomos ao cemitério, como se fizesse parte de nós essas ações neste dia.
Mãe e tia na frente, eu e prima atrás. A tradição silenciosa se repetia. As coordenadas aprendidas eram indicadas, o modo de arrumar as flores, engolir o choro, chorar. De ajudar as sepulturas ao lado. Tudo foi repetido.
A sensação que deveria ser de tristeza nada mais era que o fim de um pouco da saudade. De dever cumprido. De paz.

A foto foi tirada pela prima artista. Os modos de decorar as coordenadas, mudaram :).

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Costumes hereditários

Faz parte do ser humano cultivar costumes, herdados de pai, mãe, avó, tio ou dos novos astros da MTV.

 (formadores de opinião)


Quando estou de férias tenho o costume de ler jornal assim que acordo.

FADE IN

Mariana Acordando CENA 1

30min pra levantar. Batem na Porta.
Rafabel diz: - Tá na hora de acordar titia, o sol já nasceu.
Mariana - Resmunga qualquer coisa e vira pro lado.
Rafael cutuca ela até ela levantar.

FIM DA CENA.

CENA 2.

Mariana se arrasta até o banheiro onde lava o rosto e escova os dentes.
Faz café e e ler jornal.

SEMPRE os mesmos cadernos do jornal: Capa, Cidades, Bem Viver.

FADE OUT.


Sei que como estudante de jornalismo não deveria ler só esses cadernos, mas quando chego no trabalho leio os demais.

Ler jornal de manhã tomando café é um costume herdado da minha avó.


Nem sempre os costumes são herdados de forma linear... As vezes pode acontecer de vir de traz pra frente ou de coisas que você nem percebe.

Minha mãe pegou o costume americano de comprar ALL STAR pra mim e pro meu irmão quando eramos pequenos. Pedia pela loja de importados que trabalhava. Somente depois de 21 anos eu tive meu primeiro tenis que não fosse all star, um puma rosa e branco.

Fato é que hoje, quem usa all star é meu pai. Ele roubou esse costume de mim. Estampados, azul, preto, marrom, vários! E eu? um Puma que dificilmente sai do armario!

Ler, ter preguiça de arrumar a cama, ser louca pelo Chico, ser jornalista, gostar de politica, de escrever, ter estudado nas escolas que eu estudei... Tudo não passou de um costume, que provavelmente será passado a  outros partir daqui, porque a vida não tem como acontecer sem eles, sendo hereditários ou não.

(O costume DELES ainda está proibido de ser seguido, ok?)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Lembrancinhas

Há 8 anos viajei pra Bahia com a minha avó. Ela tinha que ir visitar minha tia, mas como tinha medo de ir sozinha eu, super corajosa, e desocupada da família fui escalada. Passei 13 dias maravilhosos naquele lugar, quase prestei vestibular lá, mas resolvi me contentar com a UFAM.
(Segurando a porta pás amiga no banheiro da UFAM - Arrependimento?)



Mas eis que vieram-me as ocupações, minha avó perdeu o medo de ir viajar sozinha DROOOOGAAAAAAAAAAAAAAAA! E nunca mais voltei pra Salvador, fim.

SÓ QUE, minha avó continua indo linda e bela no seu maiô azul e canga das fitinhas do Senhor do Bonfim visitar minha tia. E quando volta traz um milhão de histórias como:


- Lembra daquela tua coleguinha? Tá em Portugal.. Estudaaaaando.. Tá é bem! (por que voltei pra Manaus mesmo?)
- A fulana foi até lá em casa tocar violão... Lembra que ela te ensinava? Poisééé.
-Conheci a praia tal.. Fomos pra fazenda.. Foi MUITO LEGAL!

O problema não é ver os 5 albuns de fotos completos de sorrisos e sol brilhante ao fundo... e sim as Lembrancinhas.

E antes que erre a minha (vestido jeans e/ou bolsa com a cara da Emília - NOT), eu escolho sempre uma blusa do Olodum.



(Eu cós amigo)




PAUSA PRA EXPLICAÇÃO:


A explicação é simples... A blusa custa R$ 10 e vende em todos os lugares daquela cidade, então é barato, eu gosto e não é dificil de achar.


FIM DA EXPLICAÇÃO.


Só que dessa vez minha avó quis inovar... (PORQ GZUS?)
Quis sair do lugarcomum...

Me chamou pra ir na casa dela e me entregou um saco cheio.. LOTADO... transbordando de:








COCADINHA DA BAHIA!


(hummmmmm diliciosa!)



- Minha filha é uma DELICIA! Fui dá uma pra mulher da padaria aqui perto e ela já me pediu mais! Vou ter até que encomendar da tua tia.


(NÃÃÃÃÃÃÃO!)



Eu nunca comi cocada. Não gosto de cocada. NÃO QUERIA COCADA!

Respirei fundo... E doei todas as minhas cocadas pra minha mãe (que juntou com as dela e deu pra vizinha).


Até agora não sei porque minha avó comprou TODO o estoque de Cocadinhas da Bahia!


A sorte é que eu tenho uma tia linda (que deve ter feito a mesma cara de NÃÃÃÃO quando viu a vovó comprando todas as "lembrancinhas"), e mandou pra mim um saco de pipoca todo amassado com uma pulseira e dois pares de brincos escondidos no fundo com um bilhete:

"Os dourados são teus e os outros da sua mãe,
Beijos Tia Regina".


(Dá cá um abraço tia!)


Sem dúvidas minha avó nunca poderá saber disso, afinal... agora são 3 cabeças em risco!

Acho que devo tirar o endereço desse blog do Orkut.. e do Twitter.. Será que eu salvei no Facebook? Eu hein!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Animação de Vó

Os domingos são sempre típicos: churrasco, bebida, jogos, filmes, crianças, mãe, tios, vovó... Minha mãe resolveu tirar umas férias da gente no sítio, e ficamos a pão e água.. Como todo bom vagabundo, corremos pra casa da vovó!
Aaaaaaaahhh... A casa da vovóóó! Muito carinho, comida, huuummm doces, tortas, lasanhas! Primos jogados de ressaca pelos cantos, churrasco, cerveja, coca geladérrima, dominó, fiilmes com pipoca... A realização de qualquer um!
Estava eu aqui, jogada na sala, com um pé em cima da mesa, uma mão sob o teclado e outra no copo, balbuciando qualquer coisa quando minha avó sai do quarto só de pijama cantaralolando.
Olhei aquilo por debaixo dos meus óculos e falei um preguiçoso: Vóóó..?! Ainda cantarolando disse: Oooi? (em tom musical). Fechou a porta do quarto e instantes começou a tocar em altíssimo som um brega antigo: "Eu daria a minha vida pra te esquecer" e ouviu-se vários pés se arrastando dentro do quarto, de modo desordenado e desgovernado e minha avó acompanhando super entusiasmada a letra daquele Wanderley Andrade dos anos 20!
Eis que um a um passaram pela porta dela e uns disseram: vovó tá animada hein? Como se fosse a única coisa que pudesse ser dita naquele momento.
Depois de uns dez minutos de arrasta-pés e coral súbito.. Minha avó-quase-groupie sai do quarto ajeitando o resto do pijama, me joga um beijo e pergunta: Quer bolo filha?
Eu, que estava estática há alguns minutos, largando de mão a história do Brad e da Jolie que tava lendo, olhei pra ela e afirmei com a cabeça.
Voltei pro computador como se a vida voltasse ao normal. Minha avó mudou pro Roberto Carlos (o que é totalmente sustentável e de bom gosto), abaixou o volume e deitou pra dormir. Peguei mais Coca, meu pedaço de bolo, estiquei minha perna e tratei de deixar de imaginar minha avó dançando brega com pouca roupa. Afinal, qualquer coisa é menos importante que uma barriga forrada por comidinhas de vovó!

(Vovó e suas amigas nos anos 20)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Made in Miami

Ainda hoje vo almoçar na minha avó nos domingos, é a gente reune um bando de primaradas e tios e quem é de beber bebe, quem joga dominó faz campeonato, quem gosta de filme passa o dia no quarto com pipoca, as crianças brincam e etc.
Como minha mãe não dirige, nem eu, e muito menos meu sobrinho de 3 anos dãã!.. Nos locomovemos de BUZÃO ou da boa vontade alheia.. E eis que um dia meu tio Heraldo foi nos buscar.
No meio do caminho, dentro de uma conversa engatada ele solta: - Aaah minha prima foi em Miami e trouxe um presentinho pra mim. Achei super phyno e perguntei: - O que é tio?
Nesse momento ele puxou o celular velho do bolso. Os nossos olhares voltaram-se para o celular e ouviu-se um vago Huuummm de quem não entendeu bulhufas. Resolvemos voltar para o papo anterior que fazia mais sentido.
Quase chegando na casa da vovó, minha tia (mulher dele) liga pra pedir pra comprar refrigerante. Foi ai que vimos o tal do presente.
Descontroladamente o celular do Heraldo começou a psicar, jorrar luz colorida pra todos os lados, dançar frenéticamente ao som de uma música estranha. BIZARRO! Todo mundo ficou com cara de QQQQQ?
Ele demorou quase um minuto pra atender, acho que era pra gente ver de perto todo aquele show de tecnologia estranha. E antes de falar alô ele virou pra minha cara pasma e diz: - Legal né? É uma bateria nova. Coisas de made in Miami.
E quem sou eu pra dizer algo? Eu hein.. Vai entender.

(celular do Heraldo sendo usado)