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domingo, 10 de novembro de 2013

Mariana e a bicicleta - A história

Nos domingos e feriados parte da Avenida Paulista é fechada para o ciclismo. A ciclofaixa tem ainda a “participação especial” do Bradesco, que aluga bicicletas para a galera ir lá e aproveitar a faixa.

Em Manaus já tinha essa explosão de pessoas andando de bicicleta, mas eu, por motivos alheios a minha vontade (leia-se preguiça e não adepta a vida saudável) nunca ia.

Depois de dois meses morando na esquina da Paulista, outro motivo aleatório me fez descer na manhã deste domingo para PEGAR A BICICLETINHA.

 (expectativa) 

Hoje de Manhã:
Acordei “cedo” e preparei tudo: Uma blusa preta de malha com manga 3/4s, um short jeans, meu tênis azul de todos os momentos e os meus óculos escuros. Tomei café da manhã reforçado: 3 bolachas cream cracker com um patê gostoso que comprei no supermercado com cappuccino e suco de laranja. Deixei tudo em casa: celular, chaves. E levei só o que eu realmente precisava: dinheiro para comprar água nas vendinhas e o documento pro cadastro. Estava pronta para ser a bizarra da avenida Paulista.

Fiz o cadastro gratuito, peguei a bicicleta e ainda brinquei com o tio: “Moço, pegue uma bicicleta para baixinhas!!” Nós rimos... Sem saber que cinco minutos depois eu estava me odiando por não ter pedido uma bicicleta de anã.


Peguei a bicicleta, fiz cara de “sou foda na cama eu esculacho”, subi na bicicleta com um ~pouco~ de dificuldade e tentei lembrar, sem sucesso, da última vez que andei em cima de uma magrela daquelas.

Um pé no pedal, outro, Mariana quase caindo de cara na avenida paulista E FORA da ciclofaixa.
Me recompus, fingi que nada acontecia, subi de novo e comecei a andar em zigue-zague.

Xinguei mentalmente a pessoa que disse pela primeira vez que “andar de bicicleta a gente não esquece nunca”. Pura mentira para pessoas rirem das outras pagando mico, porque vocês sabem né...

A CICLOFAIXA É UMA SELVA


(A realidade) 

Onde pessoas que são expert em bicicleta fazem questão de chamar de BIKE e usam roupas próprias para exercícios físicos, e andam com garrafinhas, e desafiam as leis da física (e do trânsito!!) cortando a sua frente na ciclofaixa. Essas pessoas são um perigo e deveriam estar presas em seus egos! (ok, foi um momento de desabafo agora, continuemos...)


Quando finalmente consegui me equilibrar e andar numa linha quase reta começaram os obstáculos: Motoristas me parando pedindo informação de como chegar na rua TAL, sinais de trânsito fechando na minha frente e eu tendo que (re)aprender a parar aquele monstro sem cair, entre outros.

Tudo me levava a crer que a vida tava de sacanagem comigo e queria que eu me esborrachasse no chão e foi ai que eu lembrei: a última vez que eu tinha andado de bicicleta na vida eu quebrei minha clavícula em duas partes e um osso da minha cabeça entrou e deixou um lado minha testa um pouco mais funda....

FLASH BACK:

Mariana aos 12 anos, com bicicleta nova super power tripo foda, mostrando aos seus amiguinhos.

(Humilhando todos)

Coleguinha 1 espirito de porco: - Vamos fazer uma aposta de quem chega primeiro na praça de alimentação?

Coleguinha 2 inteligente: - Sei não, acho que não é uma boa ideia...

Mariana se achado a pica das galáxias com a bicicleta: - Eu topoooooo


Dez minutos depois Mariana descobre que a bicicleta foda dela pode “perder o freio às vezes” e, quando tá numa marcha pesada + velocidade, o guidom não respeita ninguém e você pode bater numa sarjeta e ir de cara no muro e quebrar as clavículas e passar três meses da sua vida sendo apelidada de Robocop Gay  pelos seus colegas de classe devido ao colete que tem que usar até os ossos resolverem ser amigos de novo.


GELEI.


Comecei a pensar: putaquepario eu tenho trauma de bicicleta e não sabia. E AGORAAAAA????

Respirei fundo, pensei que o pior que poderia me acontecer era cair na avenida movimentada e me ralar toda naquele asfalto quente, nada que eu já não tenha vivido (isso merece outro post constrangedor, outro dia quem sabe). E voltei a andar.

E quando passava do Masp já estava me sentindo como “Pedalando com Moliere”, e andei mais uns quilômetros quando percebi que estava ficando cansada e ainda tinha o caminho todo da volta!!!

 (Potamerda tem que voltar né?)

Voltei morrendo por dentro, mas com estilo pra fora. Deixei a bicicleta, voltei pra casa.
Toquei a campainha pensando que não poderia demonstrar que para mim parecia que tinha acabado de vencer um exército de mil homens, pelo contrário, eu deveria demonstrar toda a confiança mundo. 

Já tava me sentindo a TAL de novo quando preparei o sorriso e o Caio abriu a porta de casa e me soltou um:

- Meu Deus, tu caiu??????

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Costumes hereditários

Faz parte do ser humano cultivar costumes, herdados de pai, mãe, avó, tio ou dos novos astros da MTV.

 (formadores de opinião)


Quando estou de férias tenho o costume de ler jornal assim que acordo.

FADE IN

Mariana Acordando CENA 1

30min pra levantar. Batem na Porta.
Rafabel diz: - Tá na hora de acordar titia, o sol já nasceu.
Mariana - Resmunga qualquer coisa e vira pro lado.
Rafael cutuca ela até ela levantar.

FIM DA CENA.

CENA 2.

Mariana se arrasta até o banheiro onde lava o rosto e escova os dentes.
Faz café e e ler jornal.

SEMPRE os mesmos cadernos do jornal: Capa, Cidades, Bem Viver.

FADE OUT.


Sei que como estudante de jornalismo não deveria ler só esses cadernos, mas quando chego no trabalho leio os demais.

Ler jornal de manhã tomando café é um costume herdado da minha avó.


Nem sempre os costumes são herdados de forma linear... As vezes pode acontecer de vir de traz pra frente ou de coisas que você nem percebe.

Minha mãe pegou o costume americano de comprar ALL STAR pra mim e pro meu irmão quando eramos pequenos. Pedia pela loja de importados que trabalhava. Somente depois de 21 anos eu tive meu primeiro tenis que não fosse all star, um puma rosa e branco.

Fato é que hoje, quem usa all star é meu pai. Ele roubou esse costume de mim. Estampados, azul, preto, marrom, vários! E eu? um Puma que dificilmente sai do armario!

Ler, ter preguiça de arrumar a cama, ser louca pelo Chico, ser jornalista, gostar de politica, de escrever, ter estudado nas escolas que eu estudei... Tudo não passou de um costume, que provavelmente será passado a  outros partir daqui, porque a vida não tem como acontecer sem eles, sendo hereditários ou não.

(O costume DELES ainda está proibido de ser seguido, ok?)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Manhãs

Geralmente eu acoro no finalzinho da manhã. Mas, misteriozamente eu tenho acordado um pouco mais cedo ultimamente.
Levanto como se o mundo estivesse em guerra e a casa fosse ser bombardiada a qualquer momento. Levanto feito aqueles filmes de terror trash que todo mundo tem certeza que o morto já era e do nada ele levanta com tamanha rapidez que não sobra um cagão na sala. É com essa sutileza que tenho despertado ultimamente.
Faço o caminho do banheiro dormindo (eu tenho essa facilidade de fazer as coisas nesse estado), lavo o rosto, escovo os dentes, resmungo um bom dia mãe!, coloco água pra esquentar e... eu não lembro.. Eu nunca lembro o que eu faço depois disso, o que pode ser um perigo.
Entre os nossos debates produtivos, Caio e eu sempre nos questionamos o que fazemos enquanto durmimos... Quem me garante que eu to lá.. quietinha, deixando minha imaginação fértil se desenvolver? QUEM?
Mas nada é pior do que esse período vago da manhã. Que diabos eu faço essa hora? Minha mãe diz: Ah, sei lá.. fica aí oras! Como assim eu fico aí? Sentada? Cantando? Recitando Shakespeare? Aprendendo ioga? Fazendo uma dança africana talvez? Eu não sei.
Mas eis que a água fica pronta, eu faço o café, espero esfriar um pouco (eu sei que faço isso porq qndo bebo o café ele tá bom e morno).. tudo isso no meu estado de transe.
E é só tomar a primeira gota de café que meus olhos se abrem pro mundo. É nesse instante que percebo que choveu a noite toda, que as cadeiras mudaram de posição, que hoje não é sábado... e finalmente decido que estou pronta pra ler o jornal.
Há dias que as pessoas me encontram e eu to meio zumbi. E elas repetem mil vezes a mesma coisa pra eu entender, ou eu não falo coisa com coisa, ou simplesmente não sei o que eu to fazendo alí (como eu cheguei? eu conheço essas pessaoas? faz tempo que fulando tá aqui?). Isso geralmente acontece quando acaba meu café.
É estranho, eu sei.. só tenho 20 anos, sou parcialmente saudável, forte (?), aparência boa (?), e as vezes um pouco criativa... Talvez aquele filme ZUMBILÂNDIA, esteja certo.. e eu tenha sido mordida por um zumbi enquanto estava naquele espaço de tempo matinal que não sei onde estou.
Sei lá, pode ser.

( eu sou a da serra eletrica CLARO)