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sábado, 26 de maio de 2012

O cemitério


Estamos ficando velhos, e isso é indiscutível. A parte boa disso é que começamos a prestar a atenção em antigos costumes que antes nos passavam batido, mas que no fim faziam todo o sentido.



Quando criança, no dia das mães, sempre me acordavam cedo para ir à missa e depois ao cemitério.
Minha avó conhecia as coordenadas exatas de todas as sepulturas da famílias, os pontos de referência. 
Era um aprendizado constante para minha mãe e tia que assistiam aquilo com tal dedicação como se fosse necessário aprender para a sua sobrevivência.
A troca de flores, a reza, a limpeza da sepultura ao lado de quem não conhecíamos, mas que estava abandonada. Tudo isso era anotado mentalmente, sem que fosse necessário dizer o passo-a-passo.
Minha avó nos deixou.
Este ano fomos ao cemitério, como se fizesse parte de nós essas ações neste dia.
Mãe e tia na frente, eu e prima atrás. A tradição silenciosa se repetia. As coordenadas aprendidas eram indicadas, o modo de arrumar as flores, engolir o choro, chorar. De ajudar as sepulturas ao lado. Tudo foi repetido.
A sensação que deveria ser de tristeza nada mais era que o fim de um pouco da saudade. De dever cumprido. De paz.

A foto foi tirada pela prima artista. Os modos de decorar as coordenadas, mudaram :).

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pelo direito de sentir preguiça

Hoje é feriado e como é de costume, viemos para casa da minha avó. Há séculos eu não vinha pra cá, depois que a minha baixinha dançarina de boleros antigos nos deixou nem faz muito sentido vir e tomar o café dela nas coisas dela.
Mas antes de começar a sentir saudades tem outra coisa que sempre aparece quando eu entro aqui: a preguiça.
É chegar, beijar os primos e tios, me jogar no sofá e assisti tv ou usar o computador até a hora de comer. Depois nós comemos, e voltamos pra preguiça.
Hoje, tomando cafe da manhã quase as 11h, contei pra minha tia o meu estado, que por sua vez me surpreendeu com a sua atitude.

No chat do gtalk.

Eu: Tô me sentindo meio mal.
Caio: Por que?
Eu: Eu tô com preguiça, disse isso pra minha tia e ela disse que não era pra eu falar isso porque a preguiça era irmã do cão.
Caio: Cão?
Eu: É, o demo.
Caio: Ah então conheço gente com o demo no corpo porque...

....

Qual é o problema de sentir preguiça?
Sou totalmente a favor de existir um dia em que ter preguiça não seja algo condenável ou diabólico. Assim eu poderia passar o dia inteiro assistindo tv sem peso na consciência.

(feriadão)